Gravidez Indesejada – Ter ou não Ter?

O assunto é sério e de certeza que já lhe aconteceu o chamado susto. Um descuido, mesmo que o cuidado e a precaução estejam presentes causa sempre ansiedade e incómodo. Na maioria das vezes o alarme é falso, mas como já diziam as nossas avós, “quem anda á chuva, molha-se!”.

E molhou-se, certo? Como poderia isto acontecer-lhe a si que tantos cuidados tomou e precaveu-se para que isto não acontecesse. Não se consegue relaxar, dormir, comer, sorrir sem lhe passar pela cabeça que a menstruação já deveria ter chegado e está atrasado demasiados dias. Os sintomas agravam-se, mas tem-se sempre a sensação de que é tudo psicológico porque puro e simplesmente não quer. Faz finalmente o teste e quando olha para o resultado, uma frase ecoa no pensamento - Estou grávida!

Uma gravidez indesejada acontece uma em cada quatro mulheres e se julga que a despenalização da prática do aborto fizeram com que o trauma ou a vergonha acabassem, engana-se.

Por um qualquer motivo, uma gravidez pode ser considerada indesejada e se é desta forma tratada é porque a dúvida de ter ou não ter um filho permanece na cabeça. Indesejada significa ficar na corda bamba da decisão ou indecisão.

Não ser planeada é outra coisa diferente e significa á partida que se deixará a gravidez seguir a avante. Indesejada é o tormento.

Situação profissional inconstante ou em acelerado desenvolvimento, relação sentimental em estado de caos ou quase não existente, ou até mesmo a já existência de outros filhos, podem ser apenas algumas das causas que podem uma mulher a pensar seriamente num aborto.

O que fazer agora? Nenhum conselho poderá ser dado nesta altura a não ser – Reflicta e pense bem.

Antes de mais, o melhor será partilhar a descoberta com a outra parte. Seja marido, namorado ou mesmo o amigo colorido, a decisão pode sempre ser tomada a dois e não julgue que pelo facto de não manter uma ralação estável vai ou pode ficar desamparada. A decisão a dois traduz-se muitas vezes num peso menos pesado para as duas partes e a reflexão pode muitas vezes ser mais consciente.

No entanto, muitas são as vezes em que a batata quente nos cai no colo e a decisão é nossa, enquanto mulheres. O que fazer então?

Um aborto pode muitas vezes ser a única saída. É legal até às 10 semanas de gestação. Não tem custos e pode fazê-lo num hospital público com todos os meios e descrição. É tratada de forma correcta sem julgamentos, pelo que se está a ponderar fazê-lo, não se deixe cair nas mãos de curiosos. No entanto, saiba que um aborto marca uma vida. Física e psicologicamente e acredite, vai passar o resto da sua vida com o pensamento profundo de que abortou.

Um filho é um encargo para a vida, é um peso bastante pesado, uma ferida aberta, um não mais dormir tranquila. No entanto é o ser mais compensador que nos surge na vida. É o amor mais incondicional e doentio que jamais sentiremos na vida, e a alegria constante que nos transmite é única. Pense no melhor para, para que nunca se arrependa. Neste momento é o que mais interessa!

Autor: Carla Horta